
"A quem as contar? Que objectivo perseguimos ao fazê-lo ? "(...) " Mas nada parece poder nos desencorajar. Nós vamos antes de mais construindo-nos através da narrativa. Porque nos é tão essencial? Porque temos tanta necessidade em nos definirmos?" (...)
" Eu coloco a hipótese que é graças à narrativa ( autobiográfica ) que criamos e recriamos a nossa personalidade, e que o Eu é o resultado das nossas narrativas e não uma espécie de essência que nós devíamos descobrir explorando as profundezas da subjectividade." (...)
Logo que temos esta capacidade ( de recontar )"(...) então nós podemos construir uma personalidade que nos religa aos outros, que nos permite retornar de maneira selectiva ao nosso passado, preparando-nos para enfrentar um futuro que imaginamos. É na nossa cultura que possuímos as narrativas que permitem contarmo-nos a nós próprios, que tecem e voltam a tecer sem cessar o nosso Eu. Nós estamos certamente dependentes de um cérebro que deve estar pronto e em condições para que construamos a nossa personalidade. Mas por mais forte que seja esta dependência nós somos virtualmente desde o nascimento, expressões da cultura que nos alimenta. Entretanto a cultura é ela própria uma dialéctica onde abundam narrativas de todos os géneros que nos dizem o que é ou o que deveria ser o Eu. E as histórias que inventamos para construir a nossa personalidade contem a marca desta dialéctica."
traduzido do françês
Jerome Bruner Pourquoi nous racontons-nous des histoires? éditions RETZ
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